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A normalização dos pedidos de impeachment no Brasil

O impeachment é uma arma poderosa do Congresso, feita para ser utilizada apenas nos casos mais extremos.

O Brasil utilizou-o duas vezes desde que se tornou uma democracia na década de 1980 – em ambas as ocasiões, os líderes depostos correram perigo depois de perderem o apoio público, enfrentarem realidades económicas terríveis e serem condenados ao ostracismo pelo Congresso.

Mas o terreno político mudou e os pedidos de impeachment tornaram-se banalizados nos últimos anos. E embora se possa argumentar que foram frequentemente cometidos crimes susceptíveis de impeachment, estes pedidos tornaram-se uma ferramenta para os grupos políticos servirem à galeria, em vez de responsabilizarem os que estão no poder pelas suas acções.

Um exemplo é o recente pedido de impeachment contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, elaborado por uma congressista de extrema direita em apuros e co-assinado por cerca de 140 legisladores (dos 513 da Câmara). A moção argumenta que Lula violou a Lei do Impeachment de 1950 por “cometer um ato de hostilidade contra uma nação estrangeira” depois de comparar as operações militares de Israel em Gaza ao Holocausto.

O apoio à moção está muito abaixo dos 342 votos necessários para realmente votar a favor de um julgamento de impeachment. Além disso, o desempenho económico melhor do que o esperado do Brasil e a popularidade de Lula junto do eleitorado não conservador funcionam como escudos contra a destituição.

Gleisi Hoffmann, presidente do Partido dos Trabalhadores de Lula, encolheu os ombros ao pedido, chamando-o de um assunto “normal”. “Fizemos isso o tempo todo contra [former President Jair] Bolsonaro”, disse ela aos repórteres.

O pedido de impeachment, no entanto, tornou-se um fato político depois que se soube que mais de 45 parlamentares membros de partidos de centro-direita pertencentes à coalizão Lula estavam entre os seus signatários.

Agora, o governo procura formas de puni-los sem prejudicar ainda mais a já tensa relação que tem com o Congresso.

Compreendendo a fragmentação parlamentar do Brasil

O Brasil tem uma das legislaturas mais fragmentadas do mundo. Vinte partidos estão representados no Congresso e o país tem mais de nove “partidos eficazes”, ou seja, o número de partidos suficientemente fortes para influenciar os votos no Congresso.

Isso obriga os presidentes a formar alianças com partidos de diferentes preconceitos ideológicos para obter maioria no Congresso (embora instável) e garantir a governabilidade. Em 2009, Lula (então cumprindo seu segundo mandato) disse que Jesus teria que formar uma coalizão com Judas se quisesse…



Com informações de Brazilian Report.

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