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Vendas no varejo brasileiro em maio são bem melhores que o esperado

O varejo brasileiro registrou resultados positivos pelo quinto mês consecutivo, com vendas crescendo 1,2% em maio em relação a abril, impulsionadas pelo segmento de alimentos, segundo novos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado do mês também veio bem acima das expectativas do mercado, que apontavam queda mensal de 0,9%, segundo analistas ouvidos pela LSEG. As vendas do setor cresceram 5,6% no ano e 3,4% nos últimos 12 meses. Na comparação com o mesmo mês de 2023, o crescimento foi de 8,1%.

O resultado se deve não só ao aumento nas compras de alimentos e bebidas em supermercados e mercearias (+0,7%) — segmento que responde por mais da metade das vendas no varejo —, mas também de itens farmacêuticos, que acumulam alta de 12,6% no ano, e de artigos de uso pessoal e doméstico (+1,6%).

Segundo o gerente de pesquisa do IBGE, Cristiano Santos, o aumento na concessão de crédito para pessoas físicas e o crescimento da massa salarial, apoiados pelo aumento consistente do número de pessoas ocupadas no país, são os principais fatores que levam o setor a apresentar resultados melhores do que em 2023.

O resultado de maio também foi positivo (+0,8%) no chamado “varejo ampliado”, que inclui vendas de veículos automotores, materiais de construção e produtos alimentícios no atacado — os aumentos foram impulsionados quase inteiramente por este último segmento.

Como mostramos em maio, levar o setor a um crescimento consistente novamente depende de flexibilização monetária, inflação controlada e um mercado de trabalho resiliente.

Até agora, esses três fatores apontaram na direção certa, levando entidades como a Confederação Nacional do Comércio (CNC) a revisar suas projeções de crescimento da receita do setor em 2024 para cima, de 1,1% no início do ano para 2,2% há dois meses — acima do crescimento de 1,7% registrado em 2023. A entidade deve revisar sua previsão para cima novamente ainda hoje.

Os números do IBGE, no entanto, não mostram crescimento consistente em outros segmentos além dos bens não duráveis ​​(alimentos e produtos farmacêuticos), que conseguiram sustentar um crescimento mais ou menos contínuo nas vendas mesmo após a alta da inflação pós-pandemia. Eles sentiram um impacto muito mais rápido da queda da inflação e do aumento do poder de compra da população.

Por outro lado, os varejistas de bens duráveis ​​e semiduráveis ​​foram do céu ao inferno. No início da crise, eles vivenciaram a euforia, com as pessoas gastando suas economias em embelezar suas casas, comprar roupas novas ou adquirir equipamentos para trabalhar remotamente. No entanto, essas mesmas empresas logo sentiram os efeitos da inflação nos orçamentos das famílias, com altos níveis de dívida que persistiram por muito mais tempo do que em ciclos anteriores devido aos altos custos de empréstimos.

Esse cenário está mudando lentamente. Comparando maio deste ano com o mesmo mês de 2023, por exemplo, os dados do IBGE mostram um aumento de apenas 2,1% nas vendas de eletrodomésticos e móveis.

Se as entidades do setor esperavam uma recuperação completa até o fim do ano, o novo ritmo da política de juros pode ser um obstáculo. Na ata de sua última reunião, o Comitê de Política Monetária do Banco Central sinalizou que novos cortes na taxa básica de juros (atualmente em 10,5%) não estão à vista.

Taxas de juros mais baixas são fundamentais para facilitar a rolagem de dívidas e aumentar a capacidade dos varejistas de investir em expansão, tecnologia e estoques.



Com informações de Brazilian Report.

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