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O real brasileiro, que estabilizou os preços no país, completa 30 anos

Na semana passada, a Fundação Fernando Henrique Cardoso, guardiã do legado do ex-presidente, sediou um evento marcante: reuniu quase todos os principais responsáveis ​​pelo planejamento e execução do Plano Real, que, lançado há exatos 30 anos, levou ao fim da hiperinflação no Brasil.

Aos 93 anos, o próprio Cardoso não pôde participar devido ao seu frágil estado de saúde, mas se encontrou horas antes com alguns dos convidados e com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A reunião simbolizou o fato de que talvez mais do que um sucesso econômico, o Plano Real foi uma conquista política, construída por muitas mãos e orquestrada pelo Sr. Cardoso.

Em meio à crescente animosidade de Lula em relação à postura cautelosa do Banco Central e às discussões em torno de um projeto de lei que poderia dar ainda mais autonomia à autoridade monetária, olhar para o legado do Plano Real também é reconhecer a estabilidade econômica duramente conquistada pelo país e lembrar que a política ainda é o (único) caminho possível para ela.

Não é uma ideia de uma pessoa só

Entre 1980 e 1994, a hiperinflação assombrou o Brasil. No início da década de 1990, os preços subiam cerca de 100 por cento ao ano — e embora isso pareça absurdo para os padrões de hoje, não era nada perto do que estava por vir.

Em 1990, durante a transição entre os presidentes José Sarney e Fernando Collor — o primeiro líder eleito democraticamente desde 1960 — a inflação anual atingiu 6.800%.

Durante esse tempo, os preços eram reajustados diariamente — às vezes, várias vezes ao dia. Era uma cena comum em supermercados ver consumidores correndo para ultrapassar funcionários de loja armados com armas de preço para pegar os produtos antes que eles ficassem mais caros.

Três anos antes, em 1987, o governo havia declarado uma moratória da dívida, o que apenas aumentou as incertezas em torno da economia brasileira. Daquele ponto em diante, várias tentativas sob o governo de José Sarney — de congelamento de preços a bloqueio de contas de poupança — trouxeram algum alívio imediato, mas, no final das contas, falharam em corrigir os problemas que prejudicavam a economia.

A hiperinflação e o défice sistémico do país na sua balança de pagamentos eram então os dois principais problemas a resolver. Como tal, foram também dois temas de discussão na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), onde surgiram Cardoso e vários dos cérebros por detrás do Plano Real.

“Não existe ideia de um homem só [when we talk about the Real Plan]”, disse Persio Arida, um dos idealizadores do Plano Real e ex-presidente do BNDES e do Banco Central em diferentes períodos do primeiro mandato de Cardoso (1995-1998).

A lista de nomes por trás do plano é longa e os mencionados muitas vezes tinham mais de um papel a desempenhar.

Entre eles estão André Lara Resende, economista que, ao lado do Sr. Arida, criou a URV (Unidade Real de Valor), pseudomoeda que deu origem ao lançamento do Real, e Edmar Bacha, economista que primeiro esboçou a ideia do plano. Gustavo Franco também foi figura-chave: como presidente do Banco Central no segundo semestre de 1990, o Sr. Franco liderou a implementação do atual tripé macroeconômico do país (câmbio flutuante, meta de inflação e…



Com informações de Brazilian Report.

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