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Estupro afeta desproporcionalmente a população negra do Brasil

Quase 62% das crianças e adolescentes vítimas de estupro no Brasil em 2022 eram negros. A disparidade racial é replicada em várias faixas etárias e se aprofundou na última década, de acordo com um estudo do Centro de Estudos Raciais do Insper, uma escola de negócios sediada em São Paulo.

De acordo com a pesquisa, meninas negras foram vítimas de 50,6% dos estupros registrados em 2010, enquanto meninas brancas representaram 34,6% dessas vítimas — uma porcentagem que caiu para menos de 31% em 2022.

Considerando todas as faixas etárias, a maioria dos mais de 40 mil casos registrados em 2022 (número que quintuplicou desde 2010) teve como vítimas meninas negras de até 17 anos (40,1%) — que representam apenas 13% da população brasileira.

As descobertas surgem enquanto a bancada conservadora no Congresso tenta tornar as leis brasileiras sobre aborto mais rigorosas. Um projeto de lei recentemente colocado em discussão equipararia abortos após a 22ª semana a assassinato (mesmo para vítimas de estupro). Mulheres que interrompem uma gravidez enfrentariam penas de prisão entre seis e 20 anos — enquanto a pena máxima para estupro no Brasil chega a dez anos.

Fatores como a maior vulnerabilidade social de mulheres negras de todas as idades ajudam a explicar essa discrepância, dizem os pesquisadores. Com menos acesso a empregos bem remunerados, elas tendem a ser mais dependentes financeiramente de seus parceiros — o que torna a separação difícil.

Cerca de metade dos casos de violência sexual denunciados às autoridades foram perpetrados por pessoas do círculo familiar da vítima.

O histórico de violência contra mulheres negras no Brasil, país marcado por séculos de escravidão e estupro de mulheres escravizadas, é outro fator nesse cenário. “Há também essa questão da ultrassensualização das mulheres negras, colocando-as como objetos sexuais, como lascivas… Elas são tão desumanizadas que até a violência contra elas é de alguma forma justificada”, disse Djamila Ribeiro, pesquisadora do tema, em entrevista em 2016, quando pesquisas já mostravam aumento de casos de violência sexual contra mulheres negras.



Com informações de Brazilian Report.

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